Um dos fotógrafos mais atuantes do RN, Canindé Soares é exemplo de paixão por uma atividade
Maiara Felipe // maiarafelipe.rn@dabr.com.br
Quando "menino buchudo" lá em São Bento do Trairi, o filho da dona de casa com um marchante não pensava nunca em trabalhar com fotografia, muito menos, em estar frente a frente com Pelé, Ronaldo Fenômeno, Bill Clinton e várias outras personalidades internacionais. Os que conhecem um pouco da história de Francisco Canindé Soares de Lima sabem das importantes coberturas que o fotógrafo participou, das publicações em veículos de comunicação mundial e do reconhecimento dele pelo público. Conquistas relevantes. Mas Canindé não é só isso. O fim de semana poder ser fazendo trilhas ao lado das suas companheiras (a maquína fotográfica e a esposa), depois uma paradinha para comer uma carne de sol, que pode ser substituída por um peixinho frito no Canto do Mangue, tudo muito rotineiro, simples, já que ele mesmo diz que adora uma "mesmice".
Canindé já teve seus trabalhos publicados em veículos de todo o mundo e hoje "fotografa com liberdade" Foto: Joana Lima/Especial/DN/D.A Press
Para alcançar o que tem hoje, Canindé levou muita carne "nas costas" para vender na Ribeira, tentou ser desenhista, músico, fotografou pordez anos eventos em periferias da cidade, passou mais uma década trabalhando em redações até decidir fazer o que gosta: "fotografar com liberdade". No auge dos 50 anos de idade, ele diz sem medo que "hoje só faz o que curte". Nada a mais, nem a menos.
Aos 7 anos, junto com duas irmãs e os pais, Canindé chegou em Natal. Ficou morando na Avenida Leão Veloso (Av.5), em uma casa simples, chão de terra batida e um cômodo. A mãe, Terezinha Soares de Lima, lavava roupa para fora. Valdemar Pinheiro de Lima, o pai, tinha criação e durante três vezes por semana vinha a pé para Ribeira vender carne e o filho trazia as buchadas de bode para ajudar o pai. "Foi uma infância sofrida. Meus pais eram muito pobres. Isso durou quase até os meus 20 anos", relata.
Canindé achava que de todo jeito seria um artista. Não queria um trabalho com rotina, queria inovar e criar. Primeiro foi o desenho que apareceu na sua vida. "Não tinha como pagar um curso para me aperfeiçoar. Terminei desistindo. Tentei música na adolescência, tambémnão tinha como pagar a ninguém", explicou o fotógrafo. Em meados de 1977, ele conheceu o destino na UFRN. Os fotógrafos faziam uma produção muito grande nas formaturas e precisavam de pessoas para entregar o material. Foi assim o primeiro contato com a profissão, sendo um entregador de fotos.
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