Muito Edição de quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Novos rumos ao cinema de arte
Cineclube Natal persiste e anuncia boas novas para o melhor da 7ª arte. Objetivo é se adequar ao público e encher sessões
Sérgio Vilar // sergiovilar.rn@dabr.com.br
Ocinema é chamado de 7ª Arte. Em Natal, bem poderia ser a 15ª ou a última das artes. A história de decaso com o fazer e o assistir cinema na cidade impressiona. A produção audiovisual ainda engatinha. As poucas salas de cinemas são concentradas em shoppings. O público superlota o lançamento de blockbusters e esvazia qualquer iniciativa de exibição de cinema de arte. Se em estados vizinhos como a Paraíba, Pernambuco ou Ceará se formam federações com 30 ou 40 cineclubes, no Rio Grande sem Cinema há apenas um cineclube atuante.
E o Cineclube Natal inicia o ano reformulado. Novos parâmetros de atuação, nova equipe e novos projetos. A ideia é se adequar ao comportamento do público. E, para isso, a diretoria diagnosticou quais os costumes do natalense. Foram sete anos de observação, desde a fundação do Cineclube Natal. A conclusão é precisa se considerados alguns fatos. "O público natalense é midiático, fruto de uma elite econômica extremamente conservadora. Gosta de ver eser visto. Típico de um provincianismo de vila", aponta Nelson Marques, diretor do Cineclube Natal.
A observação é comprovada em exemplos. Se as sessões de cinema - ora gratuitas, ora a preço simbólico de R$ 2 para filmes de inquestionável qualidade - rendem gatos pingados, mais de mil pessoas pagam ingressos acima de R$ 80 para shows de artistas nacionais no Teatro Riachuelo. "Se o show for em uma praia popular, não dá essa quantidade de pessoas. No TR você é visto; você está no local badalado da cidade. E isso vale para vários outros exemplos onde o povo frequenta não pela qualidade da arte mostrada, mas para ser visto", acredita Nelson Marques.
Em 2011, o público minguado e a dificuldade de manutenção de alguns projetos de sessões fixas de cinema em razão da equipe reduzida provocou a suspensão de algumas ações. Em 2012, a ideia foi reformular. O projeto Cinéphilie, em parceria com a Aliança Francesa para exibição de filmes de origem francesa, será mantido. Será retomado o Cine Café, em Nalva Melo Salão. Já a parceria de cinco anos com o Cine Assembleia será suspensa. "Não sentimos mais interesse da parte deles", lamenta o cineclubista.
TCP
A parceria com o Teatro de Cultura Popular Chico Daniel (TCP) será diferente. "Em vez do projeto Cine Vanguarda (de exibições semanais), promoveremos mostras com cinco dias seguidos de filmes temáticos, a exemplo da semana dedicada a John Cassavetes, que atraiu bom público no ano passado. Nelson também adiantou a intenção de promover a segunda edição da mostra Cinema e Cabelos, mais uma vez exibida em Nalva Café. "Desta vez, será dedicada aos cabelos masculinos". Em maio, haverá uma mostra de cinema cult, provavelmente de volta ao TCP. "E também retomaremos a mostra do filme asiático".
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