Hoje tem operação plástica. Nenhuma notícia seria se o método não fosse revolucionário: é feito sem cirurgia ou qualquer corte invasivo. E a beleza plástica vai além da estética. O resultado, o fazer, a operação propriamente dita mira mesmo é a arte. E esta operação plástica já foi premiada. E nem precisou desbancar Ivo Pitangui ou outro bamba nesses assuntos de tratamentos estéticos. Nessa operação, o médico é artista, e a plástica é a beleza na tela do cinema ou na arte de Flávio Freitas.
Com trilha sonora original de Edu Gomez, produção. Foto: Foto Still/Divulgação
Operação Plástica é o nome do documentário dirigido por Carito Cavalcanti e Joca Soares, com trilha sonora original de Edu Gomez. São 11 minutos de uma aventura solitária entre o artista plástico Flávio Freitas e o seu cotidiano de trabalho; entre criador e criação; entre o pensamento abstrato e a pintura concreta. É o artista em seu ateliê, na intimidade, no fazer artístico, no processo criativo. É o desenho de observação, a disciplina diária, o criar e vender, além da história doateliê ancorado no bairro da Ribeira e a espiritualidade do artista.
O documentário será exibido oficialmente hoje, às 20h, no espaço que compreende o ateliê do artista plástico Flávio Freitas e o Restaurante Dona Maria (vizinho ao Buraco da Catita, ainda na Av. Duque de Caxias), na Ribeira. Tudo gratuito, junto a uma programação montada também em comemoração ao aniversário do artista. O lançamento oficial se dá após o doc ser duplamente premiado com os prêmios do Júri Popular e Menção Honrosa, na Mostra Competitiva Nacional do Festival Goiamum Audiovisual, realizada recentemente em Natal.
"Antes mesmo desses prêmios eu já considerava a classificação para a Mostra um prêmio, pois foi uma mostra competitiva nacional com mais de 200 filmes inscritos, e entrou um potiguar no meio dos 17 classificados. E que depois ainda levou dois prêmios", se orgulha Carito.
Samba-bossa-jazz
A exibição do filme será dentro e fora do ateliê. O evento contará ainda com show de samba-bossa-jazz de Paul Jonnes e banda, formada pelo naipe de Eduardo Taufic nos teclados, Paulo Milton no contrabaixo, Darlan Marley na bateria, e o próprio Flávio Freitas no trompete.
Um sonho musical
Carito se vale do pensamento do filósofo e poeta francês Gaston Bachelard, quando diz que "o sonho é mais forte que a experiência", para justificar: "Esse é um filme de sonho! Derivado de sonhos - do sonho do artista plástico Flávio Freitas se tornar um pintor, do sonho audiovisual meu e de Joca Soares... Do sonho musical de Edu Gomez...".
Carito conheceu Flávio Freitas na época da faculdade de arquitetura, no início dos anos 1980, na UFRN. "Nos tornamos amigos e uma das marcas de nossa amizade foi a conversação. Papos e mais papos, às vezes nos sopapos da sua moto onde eu muitas vezes pegava carona para Petrópolis quando ele morava em Mãe Luiza numa 'casa-mural' a La Juan Miró."
Essa e outras histórias com certeza dão um longa-metragem: a história de Flávio que foi estudar música nos EUA a bordo de um navio cargueiro e voltou pintor. A história do jovem de família tradicional que optou em morar no bairro simples de Mãe Luiza. A história de Flávio que foi se auto-exilar por 10 anos na ilha de Fernando de Noronha, etc.
Mas Carito focou em um único "recorte". "Acho que foi João Moreira Salles que disse que um documentário pode funcionar muito bem com um recorte. Quando a gente quer contemplar muitas coisas acaba enfraquecendo a obra. E decidi focar o curta no ateliê de Flávio e em seus pensamentos. Senti que assim já teríamos pano pras mangas, plasticamente, conceitualmente".
Sintonia
A intimidade de Carito com Flávio e a postura discreta de Joca Soares proporcionaram uma sintonia harmoniosa com o espaço sagrado do artista. "O conteúdo da entrevista surgiu como consequência da minha amizade de tantos anos com Flávio. Sempre conversamos sobre essas coisas. Então foi só provocar um pouco a situação, e deixá-lo livre no seu ateliê." A química entre os diretores foi tão intensa que depois da experiência criaram uma produtora de vídeo, a Praieira Filmes.
"Não sei se é um documentário. Prefiro chamar de filme. E como diz Michelangelo Antonioni: 'um filme não é para ser entendido, é para ser sentido". Então sintam à vontade. Sintam-se à vontade!', recomenda Carito.
Saiba mais:
Trailer de Operação Plástica:
http://youtu.be/Ul6cnF2HE3s
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Edição de sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
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