F estança regada a cerveja, samba e folia hoje, no Centro Histórico. E para todos. Nada de cordão de isolamento, ingresso ou qualquer tipo de apartheid social. Nem mesmo a limitação imposta pela manicaquice terá vez. Pois é, até os cidadãos dominados pela mulher terão o seu dia de glória, justo na sexta-feira. E é apenas a prévia da troça Manicacas no Frevo. A concentração começa às 18h no Bar de Pedrinho (próximo à sede da Prefeitura, por trás do camelódromo da Cidade Alta). A programação gratuita inclui show do grupo de samba Roda de Bambas e uma aglomeração nunca vista de homens caseiros cheios de alegria.
Em sua 7ª edição, bloco vai eleger o "manicaca do ano", dentre cinco candidatos. Foto: Julio Cesar Pimenta/Divulgação
Este é o 7º ano de desfile do bloco. A maior dificuldade dos organizadores - além da sempre suada falta de dinheiro - é reunir um número maior de foliões a cada ano, por motivos óbvios. A esperança é de que com o recente boom de homossexuais saídos do "armário", os manicacas também assumam sua posição e compareçam à única celebração anual dedicada exclusivamentea eles, mesmo que munidos de procuração assinada pela companheira autorizando sua participação e estadia na festança por tempo limitado. Isso porque após o percurso pelas ruas do Centro, o bloco se junta ao samba e ao frevo até altas horas da noite.
A única diferença este ano é a instituição de pleito eleitoral para escolha do Manicaca do Ano - selecionado pela total ausência nos bares e reuniões informais de amigos, ou pela presença "umbilical" junto à sua dona. Se nos seis primeiros anos a alcunha foi definida pela diretoria do bloco, desta vez o júri é popular. Cinco candidatos disputarão o status ao qual carregarão até o próximo carnaval: os jornalistas Carlos de Souza e Alexandre Honório, o videomaker Lula Augusto, o compositor e produtor Tertuliano Aires, e o professor e agitador cultural Plínio Sanderson. Até onde se sabe, ninguém fez campanha para sagrar-se o eleito.
De acordo com o diretor do bloco, Júlio César Pimenta, os dois candidatos mais cotados para Manicaca do Ano são Tertuliano e Plínio. Oprimeiro, também chamado de O Manicaca Fescenino, já foi tradicional frequentador da boemia promovida no Beco da Lama e adjacências. É também autor do personagem Cabrito: o compositor de canções pornofônicas. E ultimamente, mesmo em shows fora da cidade, é visto colado à esposa. Plínio é o Manicaca Herói. Há alguns meses, durante assalto em sua residência, chutou o ladrão quando soube que ele subiria ao primeiro andar da casa. E levou um tiro no peito. Podia ser também o Manicaca Sobrevivente.
A única ausência confirmada para o evento será a do próprio diretor do bloco, Júlio César Pimenta. A desculpa é de que o festejo caiu no mesmo dia e horário da colação de grau do filho. Para escapar de qualquer malhação de Judas, ele garante: "Sou manicaca em dois dias do ano: um é na prévia do bloco, e o outro é no desfile do bloco durante o carnaval. Só. Tanto que o nome do bloco é Manicacas 'no Frevo'; só no frevo. Mas não poderei faltar à colação do meu filho", lamenta.
Serviço
Prévia carnavalesca do bloco Manicacas no Frevo Concentração: Bar do Pedrinho (próximo à prefeitura do Natal, atrás do camelódromo da Cidade Alta) Data e hora: amanhã, às 18h Show: Roda de Bambas e banda de frevo do maestro Duarte Camisas (opcional): R$ 25 Aquisição das camisas pelos telefones: 9906-8740 ou 9416-8016
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Edição de sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
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