Há quase dois anos guardo esse texto, esperando o momento oportuno para publicá-lo. Observo que ele continua atualíssimo, apesar do flagrante agravamento do tema central. Pois bem! Era começo da tarde do dia 15 de abril de 2010, Rodrigues, 16 anos, recebeu um golpe de faca, no abdômen, dentro de uma das escolas de Assu, interior do Estado do Rio Grande do Norte. O autor? Um colega de 15 anos. O motivo? O noticiário assim descreveu: "tão banal que não vale à pena nem citar, para evitar que outros queiram ou tentem fazer o mesmo". Provavelmente faltou o que Nilson José Machado, professor da Universidade de São Paulo, afirma numa publicação do ano de 2003: "a eclosão da violência é a falência da palavra. A descrença na força da palavra induz o recurso à força física."
Casos como o de Rodrigues e de proporções bem maiores, com dezenas de vítimas, infelizmente, têm sido cada vez mais comuns, tanto dentro das escolas quanto nos seus arredores. O que antes assistíamos, com perplexidade, pela televisão, geralmente casos de chacinas ocorridas em universidades de outros países, nos tempos atuais batem às nossas portas e nos impõem medo e vergonha. O que temos feito para além de nos indignarmos? O que esperamos que aconteça para tomarmos providências mais definitivas? Não custa lembrarmos que a violência tem raízes num quadro de ausência de limites, de abandono, situações de preconceitos explicitados, faltas, omissões, negligência, injustiças sociais ou até mesmo de doenças e perturbações mentais. Indagamos: O que poderia ser evitado?
No debate sobre a violência, nas instituições educacionais, verificamos não somente a falência da palavra, da força do diálogo para a negociação e o entendimento, mas também do respeito ou obediência que outrora era dispensado ao professor e à escola, enquanto espécies de "sagrados". Por outro lado, constatamos fragilidades da família e uma flagrante falta de prioridade e competência do Estado brasileiro para educar, cuidar e proteger as suascrianças e jovens, oferecendo-lhes escola de qualidade, cultura, lazer, esporte, condições dignas de crescerem saudáveis, equilibrados emocionalmente e preparados, enquanto cidadãos e cidadãs, sujeitos de direito.
É inegável: nunca se discursou tanto em favor da Educação e da emergência de políticas públicas para a juventude. Em nome das crianças e dos jovens, governadores (as) e prefeitos (as), bem como parlamentares reivindicam recursos, negociam convênios, aqui e acolá, na mesma proporção que tais recursos quase sempre são mal geridos ou por vezes desviados para fins questionáveis. Ainda não é consensual que investir em Educação é pensar num projeto de nação sustentável; é vislumbrar desenvolvimento econômico, atenuando desigualdades sociais; é, finalmente, é promover equidade.
Penso numa escola diferente para Rodrigues e o seu colega agressor. Temos essa dívida para com eles e as futuras gerações. Sonho com o poder público e toda população do rico e próspero Brasil, investindo num projeto educacional deimpacto, que promova a educação integral e a verdadeira inclusão social de crianças e jovens do nosso país. Quase tudo já foi pensado, é dispensável reinventar a roda, basta priorizar, a exemplo do que fez Cingapura, país colonizado pela Inglaterra até meados do século passado, atualmente exemplo mundial de avanços em todas as áreas a partir dos investimentos em educação. Lee Sing Kong, diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura, em entrevista para a última edição da revista Nova Escola, ensina: "acreditamos que não vamos errar se trabalharmos com habilidades fundamentais de linguagem e cálculo e, é claro, com uma base sólida de valores, como integridade, honestidade, esforço e desejo de aprender." De tão óbvio parece não ser mesmo nenhuma novidade. A diferença é que em Cingapura a materialidade das ações há tempo ocupou o lugar dos discursos. Lá eles entenderam que o capital humano era a maior riqueza e que para terem escolas de qualidade era necessário investir em educadores de "altíssimo nível".
No Brasil, a ausência de equidade social encontra lugar nas precariedades dos investimentos e de gestão da Educação, aliados ao medíocre modelo hegemônico de escola que já deu provas que não funciona. Pagamos caro pelo analfabetismo e analfabetismo funcional da população, pelas ineficiências dos sistemas de ensino, pela ignorância política da maioria. Até quando aceitaremos apaticamente?
Cláudia Santa Rosa, educadora, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras.
Não há como pensar em democracia e respeito aos direitos humanos sem uma imprensa livre, capaz de receber e transmitir informações e idéias serenas e verdadeiras. Exceto no pertinente a ataques e ou interferências na vida privada dos indivíduos, da sua família, e com ofensas à sua honra e reputação.
É impossível falar-se em Estado Democrático de Direito desrespeitando qualquer um dos 30 (trinta) artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada e proclamada pela Resolução nº 217-a (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 10.12.48, que reconhece e defende a Justiça e a Paz Universal baseadas na dignidade, igualdade e liberdade de todos os seres humanos da terra.
É preciso, que a nação e o Estado, instrumentalizados pela imprensa séria, pelo Judiciário e o Ministério Público, salvem a família, núcleo natural e fundamental da sociedade, que, atualmente se vê ameaçada pela licenciosidade dos costumes, por uma televisão corruptora, por programas de rádio pornofônicos e pela invasão de literatura e músicas vazias ou cheias de exaltação aos maus costumes, ao lado do tráfico desenfreado de drogas e o surgimento de heróis de lama... atingindo os lares, as crianças e adolescentes.
Proteger a existência humana, combater a violência que ultraja a consciência da humanidade; sepultar a opressão e a tirania; promover a compreensão e a solidariedade; propiciar a alimentação, educação, moradia e saúde aos mais pobres; proteger as crianças e os adolescentes da lavagem cerebral de uma televisão libertina... Tudo isso constitui, realmente, defesa dos direitos da humanidade e a imprensa livre e altaneira é o porta-voz dessa massa humana sem vez e sem razão de viver...
A liberdade de imprensa se constitui numa ponte ideal onde os oprimidos pela força do poder e os marginalizados do processo sócio-econômico, encontram uma passagem para desaguar as suas reivindicações, clamar os seus direitos mais fundamentais, em busca de soluções.
A imprensa é forte como as raízes das grandes eportentosas árvores, tranqüila e límpida como a correnteza das águas, mas que se transforma em ondas avassaladoras no seu mister quotidiano de defender as justas causas.
A sua força é tamanha que a temem os poderosos, os ditadores, enfim, todos aqueles que engendram caminhos para esmagar convicções, quando se deturpam idéias e fatos.
Ao contrário, os homens de bem, os governos austeros e competentes, que não têm medo da verdade, a elegem como prioritária, como fundamental na sua relação com o povo, não a intimidando, mas tornando-a mais forte e independente, como veículo de informação e de formadora de opinião pública.
Uma nação só é soberana, independente, transparente, quando existe uma imprensa igualmente soberana, independente, transparente, numa reciprocidade, sem permeio, sem outro compromisso a não ser com a verdade, doa a quem doer.
Adalberto Targino, procurador do Estado e membro da Associação Brasileira de Imprensa e da Ordem Internacional dos Jornalistas, colabora às sextas-feiras.
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Edição de sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
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