"Se eu pudesse escolher onde viver, seria em Natal"
Divulgação
Moacyr Franco, 75 anos, conversava com a reportagem enquanto enfrentava o caótico trânsito de São Paulo, sob chuva, para buscar os filhos na escola. Já casou cinco vezes e diz que a "desistência" partiu delas, mas a busca por um novo amor ainda é uma meta a ser cumprida. E diz que, se pudesse escolher um lugar para viver, seria Natal. Estamos falando do multifacetado cantor, compositor, ator e humorista que apresenta amanhã, no Teatro Riachuelo, a partir das 21h, um repertório especial carregado de romantismo e nostalgia.
Os muitos prêmios e honrarias concedidos ao artista incluem os troféus Roquete Pinto, Chico Viola e Globo de Ouro. Moacyr Franco é daqueles artistas afastados da mídia, das rádios, mas mesmo assim popular e querido. É um campeão de vendas com mais de 40 Discos de Ouro. Em julho passado recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante do Festival de Cinema de Paulínia, pela sua participação do filme O Palhaço, de Selton Mello. Foi sua primeira atuação como ator no cinema.
Atualmente, participa dequadro do programa A Praça é Nossa, no SBT, onde mostra sua vertente humorística. E seu novo show tem um pouco disso tudo: diversão, emoção e muita música. Moacyr fará uma retrospectiva de sua carreira acompanhado por cinco músicos que farão a cozinha para sucessos, a exemplo de Ainda ontem chorei de saudades, Seu amor ainda é tudo, Eu nunca mais vou te esquecer, entre outras, sejam canções próprias ou interpretações que viraram sucesso na sua voz.
Você é um artista versátil, mas onde se sente mais à vontade: no palco, no estúdio, na TV como apresentador, ou fazendo humor?
Cantando. Acho injusto não falar isso. São 42 discos de ouro. Afora isso, escrevo muito bem.
Costuma levar sua veia humorística aos shows musicais?
Levo a todo lugar aonde vou.
Como se deu sua trajetória de vida?
Minha formação é concomitante como homem e como tudo. Estudei até o 4º ano do antigo ginasial, fui pintor, fazia cartazes para cinemas, depois virei crooner (cantor) de uma orquestra. Os Anos Dourados asissti de cima de um palco. E fui casando e tendo filhos irresponsávelmente, até aprender que a vida é solidão. Não podemos assumir responsabilidades por niguém, pois não temos competência para isso. Fui casado cinco vezes, mas todas desistiram de mim.
Você se sente só, hoje?
Sempre me senti só, por isso é que sempre busco companhia. Eu paro na esquina para conversar com a pessoa que está entregando papel, puxo assunto, deixo um CD, dou meu telefone. O mesmo ocorre quando encontro uma moça bonita.
E busca um novo amor?
Buscarei até o último dia. Estou vivendo os 10% finais de minha vida, e hoje sei mais ou menos como se faz uma companhia feliz.
Poderia compartilhar esse segredo?
Segredo? Nã tenho nenhum segredo. Nao há ninguém mais transparente do que eu. No momento, estou dirigindo, debaixo de chuva, indo buscar meus filhos no colégio.
Quando esteve em Natal?
No ano passado, em show no América (Futebol Clube).
Qual a sua relação com a cidade?
Gosto muito de Natal e das pessoas daí. Se me perguntam em que cidade eu gostaria de viver, respondo que seria Natal. Quando me oferecem para onde desejo ir, sempre escolho Natal. Vi nascer todos os hotéis da orla. É uma cidade completa, as pessoas são sorridentes, o vento acaricia 24 horas ao dia. Uma pena o trânsito estar sendo um problema. Mas, quando estou em Natal, meus amigos sempre estão por perto.
Artistas populares, a exemplo de Amado Batista, têm pouco espaço na mídia e ainda assim são os que vendem mais discos. Você se encaixa nesse estereótipo?
Vinte por cento em mim é brega, o resto não vale nada. Eu acho que ser brega é a essência da alma brasileira, já que passaram chamar sentimento de breguice.
Sem experiência no cinema, de que forma partiu o convite para o elenco de O Palhaço?
Foi um convite de Selton Mello, que assistia a todos os programas enquanto eleera jovem, e tinha todos os meus discos em casa. Já que o filme tinha uma carga de ingenuidade na qual trabalhei a minha vida inteira, e por ele ser uma pessoa informada, sincera e honesta, aceitei o convite e fiz a minha parte. Como ator, acho que eu fazia coisas melhores antes, como Jeca Gay (A praça é nossa) e Cantapedra, personagem na série Meu Cunhado (SBT, 2004-2006), mais difícies do que o delegado Justos. Mas, agradeço, muito emocionado, aos jurados dos dois festivais por terem me dado por unanimimente essa láurea.
Às vésperas do carnaval, você que fez sucesso com Me Dá Um Dinheiro Aí, qual a razão das velhas marchinhas ainda fazerem sucessos e nenhuma nova emplacar? É o retrato do mundo fastfood?
O rádio não toca.
Gostaria de deixar uma mensagem ao público potiguar?
Que seja um homem feliz quem tem no bicho um irmão; quem deite e acorde sorrindo e ensine ao filho o perdão; que seja a minha riqueza o que couber nesta mão.
Copyright
- Diariodenatal.com.br | todos os direitos reservados. É proibida
a reprodução parcial ou total do conteúdo
desta página sem a prévia autorização |
redacao.rn@diariosassociados.com.br