As lembranças são retalhadas. Que era sempre aos sábados, na rua ao lado do açougue, a "feira de baixo". A "de cima" era ao lado do mercado público. Tinha a banca de Dona Francisca de Seu Bigode, o barraco do caldo de mocotó na esquina com a Avenida Seridó, uma vendinha de cordel, um violeiro aqui e acolá, de galope ou martelo, e quase no fim do percurso o melhor de tudo, o pastel.
Era um sacrifício acordar tão cedo. Podia-se, como remendo, comer o pastel em casa, que chegava num saquinho de papelão ensopado de óleo, e a iguaria amolecida e fria. Por isso, o melhor mesmo era ir até lá, por mais custoso que fosse.
Em resumo um caos, colorido e estridente. Gritos cruzavam a pequena rua que se formava entre as bancas, cada um oferecendo o melhor produto (que estava sempre esgotando), pelo menor preço. A coisa tomava ares de desespero por volta do meio dia, quando o calor impunha o fim da venda. Os sovinas, comentava-se à boca miúda, chegavam sempre nesse horário para aproveitar a "rebarba". Isso eu sabia de ouvir a conversa dos feirantes, enquanto acompanhava meu pai. Ele, apesar da fama de que era capaz de atravessar o Itans com um Cebasol intacto na mão, aparecia por volta das cinco da manhã.
Os sovinas aproveitavam a "rebarba"
Horário impossível de ser praticado em São Paulo, onde as feiras livres começam às seis horas e terminam às duas da tarde, em ponto. Tudo arrumadinho, padronizado, limpo e sem gritos, de uma maneira que em Caicó nunca foi possível sonhar. Em Natal, mesmo nunca tendo freqüentado nenhuma delas, imagino que também não. Nesse caso, a narrativa eu ouvia sempre de Franklin Machado, habituè da feira da Cidade da Esperança. As reclamações abundavam. Assim como as promessas, de sei lá quantas administrações passada, de que tudo se resolveria.
Mas voltando a São Paulo, local, data e horário das feiras livres podem ser consultados pela internet, no site da prefeitura. Que também informa: são 889 feiras livres, comandadas por 11.076 feirantes. Baseado numa aferição por olho, dá para dizer que dois terços são japoneses.
Uma coisa meio anódina, sem o charme do mercado turco que se estabelecia no Seridó, mas necessária para uma cidade que sem a mínima organização, padece. Pode-se, inclusive, fazer reclamações através do Disque-feira, o 156. Nunca achei do quê.
Nas duas que disponho próximo de casa não tem: umbu, cajarana, sirigüela, cordel, violeiro, caldo de mocotó, batata doce, feijão verde nem de corda e muitos outros víveres com os quais cresci. Mas tem, por obra e graça de uma ponte que liga São Paulo a Caicó, o pastel. Do jeito daqui, bem armazenado, óleo novinho, os atendentes usando bata branca. Quer dizer, cadê o naturalismo ou ausência de padrões não tão rígidos de higiene - com que se servia aquele pastel no meio da rua em Caicó? Acho que vou discar 156.
A vez é da leitura nas escolas
Cláudia Santa Rosa Integra a Equipe do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE).
O Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) é uma organização não-governamental comprometida com iniciativas que promovam o fortalecimento da escola pública, de modo a torná-la capaz de oferecer uma educação básica de qualidade social para todas as crianças e adolescentes. Um dos projetos desenvolvidos pelo IDE é o "Escola de Leitores", implementado em parceria com o Instituto C&A e a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte. O Projeto foi iniciado no ano de 2006 em apenas uma escola e em 2007 tomou uma abrangência maior, envolvendo 79 (setenta e nove) escolas estaduais dos anos iniciais do ensino fundamental, localizadas nos municípios de Natal e Parnamirim.
A qualificação passa por ações conjuntas
O projeto "Escola de Leitores" toma por base o referencial do "Prazer em Ler", programa do Instituto C&A norteado pelo princípio de que "ler é um direito fundamental do cidadão e principal via de acesso ao conhecimento e à cultura".O seu arcabouço envolve, sobretudo, a criação de espaços de leitura nas escolas, composição de acervos literários e formação de gestores e mediadores de leitura para que articulem as políticas de promoção da leitura literária das suas escolas com os respectivos projetos político-pedagógicos. Neste sentido, o Projeto contribui com o processo de construção da "Política Estadual de Promoção da Leitura Literária nas Escolas Públicas do Estado" - Lei Estadual 9.169, de 15 de Janeiro de 2009 - por entendermos que as escolas tem um papel fundamental para a democratização do acesso ao texto literário. Urge que a Lei seja regulamentada pelo poder executivo - com a prioridade que o tema requer - e implantada, efetivamente, em todo o Estado. Outra expectativa é de que o marco legal seja adaptado e oriente políticas públicas nos municípios, representando um avanço significativo para a Educação.
A qualificação dos processos de ensino e aprendizagem realizados nas escolas estaduais e municipais passa por ações conjuntas econtinuadas que fomentem políticas públicas. A formação do leitor é compreendida como sendo uma dessas políticas, talvez das mais urgentes, justamente pelos reflexos em todas as áreas de conhecimento. As estatísticas apontam que pela escola brasileira já passa quase a totalidade das crianças e adolescentes em idade escolar, sinalizando que o acesso foi praticamente universalizado. Entretanto, carece que a escola seja capaz de cumprir o seu papel social de promover as aprendizagens e formar o cidadão do tempo vivido.
No próximo dia 09 de Junho, durante evento na Assembléia Legislativa, o Rio Grande do Norte ganhará o "Fórum Potiguar de Escolas Leitoras", um espaço importante de mobilização e formação, tendo em vista a promoção da leitura literária, desde a escola. As participações e adesões dos poderes executivos estadual e municipais, das escolas, dos parlamentares e da sociedade civil organizada são indispensáveis para a garantia do acesso da população ao livro e à leitura, e, portanto à cultura e ao conhecimento.
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Edição de sexta-feira, 29 de maio de 2009
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